Página Inicial
OAB
Página Inicial
Agenda
Câmaras Julgadoras
Comissões
Conselhos
Diretoria
Ética e Disciplina
Galeria de Fotos
Notícias
Ouvidoria
Regimento Interno
Prerrogativas
Subseções
OAB/CF
CAAMS
ESAMS
MS Contra a Violência
Advogados
Artigos
Boletos Anuidade 2010
Crônicas de Advogados
Aniversariantes
Atualização de Cadastro
Certidão
Documentos para Inscrição
Excluídos, Suspensos e Cancelados
Notas
Pesquisar
Quantidade por Subseção
Sociedade de Advogados
Serviços
Contato
Serviço de Atendimento ao Advogado
Enquete
Ementário TED/Conselho
Estagiários
IGPM
Legislação
CI
Tabela de Honorários
Webmail
Exame de Ordem
Inscrição
Em Andamento
Anteriores
Comissão
Legislação Específica
Comunicados
Sexta-feira, 10 de Setembro de 2010
Poesia - Dia de Marcação

Dia de Marcação


A lua vai subindo
No céu chumbo avermelhado
Quero-queros e paturis
Revoam rasantes sobre o banhado
Bandos de cavalos, bagual, éguas e crias
Sorvem o verde lodo do alagado
E o vento marolando as águas
Traz de bem distante
O cheiro característico, marcante,
De jacarés, pacus, curimbatás e pintados.

O gado franqueiro, caracu, nelore e girado
No curral coberto de bacuri e carandá fincado
Berra ao som do laço, da palomita
Ouve-se o barulho de um boi pialado.
Murmúrio de cascos e guampos
Esturro de touro alongado
Forçando a porteira de varas
Com maneador de couro amarrada
A conter o rebanho mutilcor
De brasinos, araçás, macaus, barrosos,
Salinos, galantes, jaguanés, chitados,
Pirocos, enchurriados , oscos e melados.
De chifres abertos, cravadores afiados
Cornijos, bananas, torqueses e cumbucas,
Aguardam o momento de serem marcados.

O laço assovia no ar e cai
Certeiro sobre rês escolhida
Que parece no ar flutuar
Pela corda de couro cingida
E ao tocar o chão do mangueiro
É por hábeis mãos calejadas contida
Imobilizada, segura, rendida
Tem o couro, a pele, o pêlo invadida
Por uma marca incandescente,
A queimar-lhe as carnes, fazendo ferida
E que levará tal marca para todo o sempre
De sua vacum vida
Tirando-a do estado de selvagem liberdade
Para lhe atestar a condição de mera propriedade.

No galpão já se vêem cavalos suados
Capas de chuva, alforges e cantis
Guampas de tereré, picuá de erva e fumo
Jazem no galpão amontoados
Bacheiros e pelegos já estão pendurados
Na cerca de aroeira e vinhático lascado
E na espora de sangue rubro manchado
O derradeiro pulo de um xucro domado

O arreador mudo de argolas cinzentas
E couro cru trançado
Descansa sobre o tambo lampinado
O cravador de chifre de veado mateiro
A faixa guarani de algodão cardado
O turú de chamar o gado
Lembrança constante de dias viajados
Galope de potros, empino de xucros
Boleios em corixos,burros empacados
E no fogo crepitante
Nas brasas vermelhas do angico
Recordação de brancos, índios e mestiços

A velha chaleira encarvoada
A água quente a derramar
O jujo mesclado na água
Folhas, raízes, cascas, sementes
O bombilho de prata, a erva na cuia
O mate para cevar
Distante passado das gentes
Vem dizer aos índios campeiros
Aos peões boiadeiros
Mescla bem mesclada
De tribos dizimadas
Guarani, kadiweu, kinikinao,
Guató , xamacôco e terena
Nação de homens cor de cobre,
Hoje descaracterizada
Índios magros, sofridos, famélicos e adoentados,
Mestiços marginalizados
Reencontram sua pujança, vigor e libertação
Nos lombos de um cavalo,
As crinas seguros, agarrados
Galopando atrás de bravio gado
Num dia de marcação.


Marcus Antonio Ruiz     KARAÍ MBARETÊ
Conselheiro OAB/MS

Voltar

Busca
Digite o texto
Agenda
Mais eventos...
Enquete
Mudança da jurisdição da Justiça Federal de MS


Artigos
Artigos e Trabalhos Publicados
Notas da OAB
Todas as notas...
Av. Mato Grosso, 4.700, Carandá Bosque - CEP 79.031-901 - Campo Grande/MS - Fone:(67) 3318-4700 - Fax:(67) 3318-4716
SuperBiz